As
doenças cardiovasculares afectam milhares de
pessoas em todo o mundo. Certos aspectos da nutrição
são decisivos, quer no aumento do risco, quer
na sua diminuição. Saiba como a alimentação
pode ajudar a manter o seu coração saudável.
O
conceito de factores de risco representa um grande
avanço da medicina, uma vez que se definem
diversas situações que podem facilitar
e tornar mais rápido, o desenvolvimento de
doenças cardiovasculares.
Apesar
de serem bem conhecidos os factores de risco cardiovascular,
nunca é demais relembrar: hipertensão
arterial, tabaco, colesterol elevado, stress, pouco
exercício físico (sedentarismo), diabetes,
obesidade, mulheres na menopausa, idade, ser do sexo
masculino e a hereditariedade.
Se
há factores que não podemos modificar,
a maior parte deles está relacionada com o
tipo de vida que se leva e, se detectados e modificados
precocemente, reduzir-se-á substancialmente
as hipóteses de desenvolver a doença.
Quanto
mais estudos são realizados, maior é
o número de provas que relacionam a ingestão
de determinados alimentos com o risco de doenças
cardiovasculares.
Num
estudo comparativo entre populações
de diferentes países, assistiu-se a um resultado
conclusivo: os países com um consumo mais elevado
de gorduras saturadas também tinham os níveis
mais altos de colesterol no sangue e maior incidência
de doenças cardiovasculares.
Estes
resultados foram um grande incentivo para explorar
mais profundamente, a ligação entre
os alimentos que comemos e o risco de contrairmos
doenças cardiovasculares. Vejamos quais os
principais factores nutricionais que aumentam os riscos:
-
Gordura total e saturada
Diversos
estudos mostraram reduções significativas
dos níveis de colesterol no sangue, em indivíduos
submetidos a dietas em que se restringe a quantidade
de gordura total e gordura saturada ingerida. O total
de gorduras da alimentação não
deverá ser superior a 25-30% do valor calórico
total, e as gorduras saturadas devem contribuir apenas
com 10% desse valor.
Os
resultados são tão conclusivos que,
hoje em dia, esta é a medida mais eficaz para
reduzir os níveis de colesterol no sangue.
As gorduras saturadas estão presentes, em especial,
em produtos de origem animal: na gordura da carne
e derivados, no leite e derivados (manteiga, natas,
queijos gordos), na banha, etc.
No
entanto, alguns vegetais são também
grandes fontes de gordura saturada, como o coco e
a palma (os seus óleos, sobretudo).
-
Gorduras trans (ou hidrogenadas)
As
gorduras trans são produzidas pela indústria
alimentar, quando se submetem os óleos vegetais
(líquidos) a um processo denominado por hidrogenação,
com a finalidade de converte-los em gorduras sólidas
ou semi-sólidas (margarinas, óleos industriais,
etc.). Estas gorduras são muito atractivas
do ponto de vista económico e comercial, e
são utilizadas amplamente pela indústria
alimentar para a confecção de bolos,
bolachas, biscoitos, tostas, pão de longa duração,
massas folhadas e toda uma série de alimentos
processados. Fazem parte da composição
das margarinas e são muito utilizadas para
frituras em restaurantes.
Estas
gorduras trans têm uma acção muito
desfavorável nos níveis de colesterol
do sangue: para além de elevarem os níveis
de colesterol total, aumentam os níveis do
colesterol LDL (o mau colesterol, que aumenta o risco
de doenças cardiovasculares) e diminuem os
níveis de colesterol HDL (o bom colesterol,
que protege contra as doenças cardiovasculares).
-
Colesterol alimentar
Embora
a influência do colesterol fornecido pelos alimentos
ser significativa nos níveis de colesterol
do sangue, pensa-se que as gorduras saturadas e trans
da dieta, desempenhem uma influência muito maior.
Os
alimentos ricos em colesterol, mas que contêm
poucas gorduras saturadas, não parecem implicar
uma grande alteração dos níveis
de colesterol do sangue. É o que acontece com
o ovo (mais propriamente com a gema) que, sendo um
alimento rico em colesterol, não é o
vilão que tantos julgam. É claro que,
se o ovo for estrelado, a situação altera-se
pois passa a comportar-se como um alimento rico em
gorduras saturadas e colesterol.
Quando,
no rótulo de um alimento, ler que é
isento de colesterol, verifique também a quantidade
de gordura saturada nele existente. Esta pode ser
muito mais nefasta.
-
Proteína animal
Um
excesso de proteínas de origem animal aumenta
o nível de colesterol no sangue, enquanto a
proteína vegetal o reduz. Não está
claro se este efeito de deve ao facto de, normalmente,
os alimentos ricos em proteínas animais serem
também ricos em gorduras saturadas, ou se é
realmente um efeito das proteínas.
Apesar
de os vegetarianos e, particularmente os vegans, possuírem
valores de colesterol no sangue mais baixos e serem
menos propensos ao risco das doenças cardiovasculares,
do que o resto da população, é
possível que, se houver excessos de determinados
alimentos ricos em gorduras saturadas (através
dos lacticínios, manteiga, frituras, etc.)
e hidrogenadas, esse risco possa aumentar significativamente.
Nut. Florbela Mendes
Lisboa - Portugal
Site: www.florbelamendes.net |